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Leonardo
Da
Vinci
Mona Lisa
Jovem esposa de um homem rico, Monna (madona, senhora, em italiano) Lisa di Antonio Maria Gherardin, tinha cerca de vinte e cinco anos quando Leonardo começou a pintar seu retrato. Conta o pintor em suas anotações que mantinha a moça sempre de bom humor durante as sessões de pintura 'cantando, tocando algum instrumento e contando anedotas', para que ela não ganhasse uma expressão triste ou entediada.
Estranho que uma mulher tão rica se apresentasse de maneira tão simples, sem jóias ou ostentação. Estranho também que seu marido não parece ter encomendado o quadro, nem se sabe de nenhum outro cliente. Leonardo ficou com o quadro até o final da vida, quando o levou para a França e vendeu-o para Francisco I por 4000 moedas de ouro. O fato de Leonardo ter trabalhado com zelo neste quadro durante quatro anos, e de ter ficado com ele é incomum para uma época em que estava se iniciando a liberdade do artista como livre-criador.
O fundo da pintura também revela algumas surpresas. A temática das montanhas escarpadas era recorrente na obra de Leonardo. Alpinista amador, Leonardo tem vários desenhos e esboços sobre o tema, além de tê-lo empregado como fundo em outras composições, como a Virgem dos rochedos e a Virgem e o Menino com Santa Ana. Entretanto, a paisagem que aparece à direita e à esquerda de Mona Lisa não parece coerente. O lado esquerdo parece ser observado por alguém situado em uma posição mais baixa que o outro lado, o qual parece ser visto por alguém mais alto. Isto é, nós vemos mais terra até a linha do horizonte do lado direito do que do lado esquerdo.
Por outro lado, o único elemento a lembrar a presença humana na paisagem é um pequeno detalhe colocado do lado direito, próximo ao ombro da figura: uma ponte atravessando o rio. Além disso, dos dois lados da pintura ainda se vê vestígios de duas bases do que parecem ter sido duas colunas que ladeavam a moça. Há um desenho de Rafael baseado neste quadro em que aparecem nitidamente duas colunas laterais, que parecem ter sido eliminadas posteriormente por Leonardo.
O sorriso, já muito comentado, é mais um aflorar da alma, um estado de espírito fugaz, captado pelo mestre. Leonardo utiliza-se do sfumato em torno dos olhos e dos cantos da boca: sutilmente torna difusos os contornos, alcançando a ambigüidade misteriosa de sentimentos que vemos no belo rosto. Os olhos nos encaram, mas ao invés de qualquer tensão, parecem compassivos. Uma névoa de melancolia cobre sua face assim como um diáfano véu cobre-lhe os cabelos. Outro detalhe interessante é a ausência de sobrancelhas. Por que Mona Lisa não as tem? Uma hipótese provável é a de que Leonardo teria pintado as sobrancelhas posteriormente, e que uma malsucedida restauração as tenha removido inadvertidamente.

