
NDCM
Leonardo
Da
Vinci
Antiguidade
A tentativa de explicar questões comuns a todas as civilizações da Antiguidade como, por exemplo, acerca do universo em que vivemos - sua origem, a origem dos homens, entre outras -, levou à criação de mitos.
Os mitos cosmogônicos estão presentes nas civilizações indígenas amazônicas, babilônica, suméria, egípcia e grega para explicar a criação do universo. Em comum possuíam a ligação com crenças religiosas, divindades e elementos naturais como terra, ar e água.
Nascimento e Desenvolvimento da Ciência Moderna,
uma visão geral

O nascimento da Via Láctea – Le Tintoret (1518-1594)
Em meados do século V a.C., começaram a surgir obras que criticavam esse modo de pensar vinculado às religiões e aos deuses, estes últimos apresentando os mesmos defeitos dos homens - injustiça, vingança, ira - como em Xenófanes de Cólofon (576-480 a.C.), nascendo um novo modo de pensar fundamentado na razão: a filosofia.
A filosofia grega pode ser dividida em dois períodos: Pré-socrático e Pós-socrático.
No período Pré-socrático postulava-se a existência de uma matéria primordial a partir da qual todas as coisas seriam feitas: o arche. Cada filósofo o considerava como uma substância diferente. Para Tales de Mileto (624-558 a.C.), seria a água, ao passo que para Anaxímenes (585-528 a.C.), seria o ar. Para Anaximandro (610-547 a.C.), o arche seria o ápeiron, uma substância indefinida a partir da qual tudo se criaria e a ela retornaria quando destruído. Empédocles (484-421 a.C.) estende a ideia do arche para os quatro elementos materiais: água, terra, ar e fogo. Ainda neste período, aparecem os atomistas Leucipo (480-420 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C.), para quem a existência do vazio é condição para o movimento dos átomos, os quais sempre existiram e formariam todas as coisas do mundo ao se juntarem de forma puramente mecânica.
No período Pós-socrático surgem atomistas Epicuro (341-270 a.C.) e Lucrécio (99-55 a.C.), para quem a existência do vazio também seria condição para o movimento das coisas, o Universo seria infinito e constituiria a totalidade do que existe. Platão (428-348 a.C.) advogava que aquilo que nossos sentidos percebiam seria, na verdade, um reflexo imperfeito do mundo das ideias, este perfeito e verdadeiro. Para Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, seria o inverso, logo, valorizou como método de conhecimento a observação da natureza. Aristóteles realizou estudos em diversas áreas, apresentou os argumentos de que a Terra seria redonda, propôs a composição de tudo o que existe na Terra como uma combinação dos quatro elementos fundamentais. Ainda, observando as diversas variações na Terra e uma imutabilidade no céu, propôs que os corpos celestes seriam formados pelo éter. Aristóteles também propôs o Universo como sendo finito e esférico e ainda a não existência de espaços vazios, pois, se assim fosse, os corpos se movimentariam com velocidade infinita. Apesar de Aristarco de Samos (310-230 a.C.) ter apresentado argumentos em favor do Sol no centro, o modelo Geôcentrico desenvolvido por Ptolomeu (110-170), a partir das ideias de Aristóteles, vigorou por muitos séculos como a representação do universo.
Idade Média
Após a divisão do Império Romano, a parte Ocidental (de expressão latina) parou de ter contato com a parte Oriental (de expressão essencialmente grega). Desta forma, com o passar do tempo, o conhecimento da língua grega tornou-se raro e os tratados científicos gregos pararam de ser traduzidos para o latim. Enquanto a Europa concentrava-se em uma ciência rudimentar, os árabes traduziam boa parte da ciência grega para a sua língua.
O declínio dos centros urbanos na Europa Ocidental durante os séculos IV até o século X, fez com que a educação e o conhecimento se concentrassem nos mosteiros das áreas rurais. Apenas depois de as invasões bárbaras do século XI terem acabado é que houve um desenvolvimento da agricultura e do comércio, fazendo as cidades reviverem, juntamente com o crescimento das escolas monásticas, que se transformaram em centros intelectuais.
Os estudantes e mestres da Europa ansiavam pela aquisição do conhecimento grego-árabe, pois sabiam que tinham uma deficiência intelectual comparada a estes povos. Então, para aliviar a “pobreza dos latinos” em todos os campos do saber, alguns estudiosos do mundo ocidental juntaram esforços para dominar a herança científica do passado. Eles começaram a traduzir obras do árabe e do grego para o latim. Entre 1125 e 1200, com as várias traduções para o latim, tornou-se disponível grande parte da ciência, que ainda seria ampliada no século XIII, revolucionando o pensamento científico ocidental. A era da tradução é considerada como um marco para a história da ciência e da filosofia natural ocidental.
Outro fator que possibilitou o desenvolvimento da ciência que culminaria na revolução científica no século XVII foram as universidades medievais. As universidades são consideradas criações urbanas importantes no desenvolvimento da ciência, assim como mestres e estudantes se constituíram uma parte vital da sociedade do século XII.
Neste período, as autoridades eclesiásticas encorajavam o desenvolvimento das universidades, dando a elas um tratamento especial. Por exemplo, a cada universidade era concedida a jurisdição e, por conseguinte, o direito de ajuizar, era concedido também o direito de negociar com as autoridades externas (governamentais e religiosas). Tais privilégios permitiam grande influência na sociedade medieval.
Por volta de 1200, as universidades surgiam em Bolonha, Paris e Oxford, sendo estas as mais famosas da Idade Média. Podemos considera-las como as precursoras em organizar, absorver e disseminar grande volume do conhecimento. Este conhecimento se tornou uma herança intelectual comum que continuou para as seguintes gerações. De 1200 a 1500, foram criadas mais 70 universidades. Pode-se afirmar que, durante esses três séculos de história natural e intelectual, elas se constituíram naquilo que conhecemos até os dias de hoje: grandes centros de aprendizagem e pesquisa.
Apesar de a Idade Média ser comumente chamada de “Idade das Trevas”, ou da “Escuridão”, em livros didáticos de História, muito se deve a este período quanto ao desenvolvimento da ciência moderna no Mundo Ocidental. Ao analisarmos a história da ciência, observamos que a tradução dos registros do conhecimento grego e árabe para o latim e o surgimento das universidades foram fundamentais para aquilo que mais tarde chamaríamos de Revolução Científica do século XVII. Por isso, devemos compreender que as transformações ocorridas na Europa Ocidental durante o período da Idade Média evidenciam um sentido de continuidade com relação à história da ciência.
Ciência Moderna
Entre os séculos XV e XVI surge uma nova concepção de mundo. Um período de luz, conhecido como Renascimento. Símbolo do “descobrimento do Mundo e do homem”, com o renascer cultural, do conhecimento, do comércio (capitalismo mercantil) e da religião Cristã (reforma protestante).
Essa nova visão de mundo se aliava a interesses comerciais (busca de novas terras - novas minas de ouro e prata – rompimento do monopólio árabe-italiano sobre as mercadorias orientais) e a interesses religiosos, como expandir a fé Cristã. Sendo assim, a expansão marítima era não somente necessária, mas essencial para o domínio econômico e politico da época.
Os Lusíadas - Luís de Camões
Canto I
"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;[...]"
Contudo, navegar não era tarefa fácil. Logo, era necessário um desenvolvimento do saber e de novas técnicas. E através da influência árabe, foram divulgados e aperfeiçoados diversos conhecimentos; algarismos arábicos, bússolas, pólvoras, papel e etc. Dessa forma, o conhecimento e as novas técnicas foram colocados em prática á prova nas bravas águas dos mares. Notou-se então que a experiência prática era mais confiável do que os textos antigos. E esse foi um grande passo para o nascimento da ciência moderna.


Utensílio Utilizados no começo da Idade moderna
Bússola
É importante ressaltar que a ciência moderna não surgiu por acaso, mas foram diversos fatores políticos, econômicos e sociais que estimularam o seu desenvolvimento.
A partir de então, inúmeros cientistas que primaram pela experimentação e observação começaram a surgir. Destacamos abaixo alguns destes:
Robert Hooke (1635-1703) foi um cientista inglês, essencialmente mecânico e meteorologista. Formulou a teoria do movimento planetário e a primeira teoria sobre as propriedades elásticas da matéria. Suas notas e sua teoria sobre as rotações planetárias foram muito importantes para as pesquisas astronômicas posteriores.
Tycho Brahe (1546-1601) foi o primeiro astrônomo a calibrar e checar a precisão de seus instrumentos periodicamente, e a corrigir suas observações por refração atmosférica. Também foi o primeiro a instituir observações diárias, e não somente quando os astros estavam em configurações especiais, descobrindo assim anomalias nas órbitas até então desconhecidas. Apesar da discordância dos astrônomos daquele período, as observações de Brahe foram confirmadas.


No entanto, esse molde científico tornou-se apenas ‘’oficial’’ com o filósofo Francis Bacon (1561-1626) que dedicou sua vida ao conhecimento científico e apresentou um método para estudar a natureza: a investigação com base em experiências.
Dessa forma o conhecimento científico avançou, mas logo se deparou com problemas numéricos, pois a matemática na época ainda era elementar. Era necessário traduzir os fenômenos naturais em formulas matemáticas, pois somente assim poderiam ser completamente entendidos e explicados.
Johannes Kepler (1571-1630) era discípulo de Tycho Brahe. Kepler tinha grande habilidade com os números e compilou todas as anotações de Brahe. Tratou de dar um corpo matemático ao trabalho de Brahe.
René Descartes (1596-1650) foi um importante filósofo, matemático e físico francês. Responsável pela unificação entre a álgebra e a geometria. Desenvolveu as coordenadas cartesianas.
Apesar de vários homens (conhecidos ou não) terem contribuído para surgimento do Renascimento, houve dois deles que foram os principais ou pelo menos os mais famosos desse período, principalmente no que diz respeito ao inicio da ciência moderna:
Galileu Galilei (1564-1642) foi responsável pelo desenvolvimento dos primeiros estudos consistentes do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo. Enunciou a lei dos corpos e o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica newtoniana. Foi ele que construiu as bases para que Isaac Newton descrevesse suas três leis que explicam os movimentos dos corpos no universo. Galileu também ficou muito conhecido como o pai da ciência moderna ou o primeiro cientista pelo fato de ter alicerçado uma nova metodologia.
Esta metodologia consiste em observação: durante a observação do fenômeno, são desenvolvidas hipóteses; reprodução: em um ambiente apropriado (laboratório) busca-se reproduzir o mesmo fenômeno para melhor compreende-lo, isolando suas variáveis; elaboração: teorias, formulações matemáticas que irão descrever o fenômeno levando em conta os fatos que aconteceram durante sua reprodução; comprovação: verificam-se todas as teorias, anotações, analisa-se se realmente se encaixam com o fenômeno em questão.
"A filosofia está escrita nesse livro imenso que está sempre aberto diante dos nossos olhos, quero dizer, o Universo, mas só podemos compreendê-lo se nos dedicarmos primeiro a compreender a sua língua e a conhecer os caracteres com que está escrito.Está escrito na linguagem matemática e os seus caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem o recurso aos quais é humanamente impossível compreender uma palavra. Sem eles, é uma divagação vã num labirinto obscuro". (Galileu Galilei)
"As matemáticas escrevem-se para os matemáticos." (Copérnico)

Isaac Newton (1642-1727) foi um matemático e físico, considerado uma das inteligências científicas mais importantes de todos os tempos. Investigou a refração da luz por um prisma de vidro, desenvolveu ao longo de alguns anos uma série de experimentos cada vez mais elaborados, refinados, e exatos, Newton descobriu padrões matemáticos mensuráveis no fenômeno da cor. Newton também fez contribuições para todos os ramos da matemática, mas é especialmente famoso por suas soluções para os problemas contemporâneos na geometria analítica de desenhar tangentes a curvas (diferenciação) e as áreas que definem delimitadas por curvas (integração). Além de ser o autor do livro Principia (que fala principalmente sobre a força fundamental da gravitação e movimento dos fluidos).

Isaac Newton
O século XVIII ficou marcado como o século da razão, a revolução científica observada no século anterior foi consolidada. O nascimento do movimento Iluminista fez com que todo conhecimento que estivesse apoiado em crenças, dogmas, ou na tradição religiosa fosse rechaçado. O único conhecimento válido a partir de então era aquele que tivesse por base a filosofia mecanicista, o Universo-máquina, estabelecida durante o século XVII. A epistemologia consagrada por Newton tornou-se regra e logo foi expandida para as demais áreas do conhecimento. Os debates acerca, sobretudo, da mecânica passam a contemplar também a matéria.
Ainda, dentro do ideal Iluminista estava a popularização do conhecimento. Logo, fazia-se necessária a difusão dos conhecimentos prévios e daqueles provenientes da ciência moderna. Esta necessidade fez com que diversos livros de divulgação científica fossem escritos, sendo as enciclopédias os de maior destaque. Estas reuniam os conhecimentos científicos e também alguns artefatos técnicos e processos de fabricação, tudo classificado e ordenado a fim de facilitar a compreensão daqueles com pouca ou nenhuma familiaridade com os assuntos ali tratados.
A popularização da ciência tornava-a parte da cultura, essa penetração na sociedade da época juntamente com suas aplicações práticas fez com que o interesse de grupos de pessoas relacionadas às atividades produtivas aumentasse. Dessa forma, a produção do desenvolvimento científico passou a preocupar-se também com a resolução de problemas práticos e culminou no desenvolvimento da máquina a vapor, a qual, juntamente com outros fatores, tornou possível a Revolução Industrial, alterando drasticamente a forma de vida das pessoas.
Se o século XVIII responsabilizou-se pela consolidação e difusão da ciência moderna, o século XIX pode ser entendido como o ápice desta ciência, quando se ensaiou expandi-la para todos os ramos do conhecimento, incluindo aí também as ciências humanas e sociais. No século XIX a ciência moderna se configurou como um novo tipo de crença, capaz de resolver todos os problemas da humanidade.
O século XIX observou a segunda Revolução Industrial, possível pelo desenvolvimento científico acerca do eletromagnetismo e também do motor a combustão interna. Nesse século não era mais possível se pensar o desenvolvimento industrial alheio ao desenvolvimento científico.
A ciência passou a ser parte fundamental do imaginário das sociedades europeias, seja pelo cotidiano vivido nas cidades industriais onde homens e mulheres eram “consumidos” pelas máquinas, seja pela literatura de ficção científica recém-surgida, ou ainda pela esperança de que a ciência seria capaz de melhorar as condições de vida tanto de burgueses quanto de proletários.
Cronologia da Física
Apesar de entendermos que o desenvolvimento científico ocorre lenta e gradativamente, e constitui-se como um processo, ao contrário de algo pontual e estanque, abaixo segue uma de muitas cronologias da física possíveis a fim de orientar aqueles interessados em percorrer este longo e, no mínimo, interessante percurso:

Vênus e Marte – Clerck, H (1570-1629)

Cronologia da Física

Cronologia da Física

Cronologia da Física

Cronologia da Física