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Leonardo
Da
Vinci
Nas asas de Leonardo
Leonardo era movido pela vontade de conhecer. Dotado de um talento inigualável, ele não só produziu obras-primas nas artes, como também construiu projetos arquitetônicos e de engenharia revolucionários e esboçou invenções que estavam séculos à frente de seu tempo. Seus pensamentos e invenções abrangiam da astronomia à história natural.
Os cadernos de Leonardo incluem um vasto número de inventos (construção de canais, instrumentos musicais, bombas hidráulicas, canhões, drenagem de pântanos, telescópio, tanques blindados, paraquedas e entre outros), alguns de possível construção, outros impossíveis.
Da Vinci não foi um pintor produtivo, mas foi um exímio desenhista (projetista), mantendo diários cheios de pequenos rascunhos e desenhos detalhados registrando todas as coisas que lhe chamavam atenção. Ele observou os fenômenos e os descreveu em detalhes extremos, não enfatizando experiências ou explicações teóricas.
Com seus inventos, Da Vinci se antecipou a sua época. A tecnologia de seu tempo não permitia fabricar muitos dos aparelhos desenhados por ele, que foram esquecidos durante séculos até serem redescobertos e admirados em nossos dias.
Uma boa parte da vida de Leonardo da Vinci foi passada numa época de instabilidade e conflitos. Habilmente, talvez por instinto de sobrevivência, soube colocar o seu engenho ao serviço de senhores poderosos, salientando que não sabia apenas pintar mas também criar toda a espécie de coisas que os pudesse beneficiar. E assim começou a exercer a profissão de engenheiro militar.

Esboço de algumas Invenções de Da Vinci
Sua fascinação pela liberdade de voo era eminente. Ele tinha o hábito de comprar os pássaros engaiolados para devolver-lhes a liberdade. Esse prazer e fascinação lhe rendeu diversos esboços de asas e projetos de máquinas voadoras ao longo de sua vida. Durante um longo período produziu estudos detalhados do voo dos pássaros, incluindo o seu Codex sobre o Voo dos Pássaros de 1505, bem como planos para várias máquinas voadoras, tentou aplicar seus estudos para os protótipos que desenhou o primeiro batizado de SWAN DI VOLO (Cisne voador), segundo especialistas é de 1510, inclusive um helicóptero movimentado por quatro homens, e um planador cuja viabilidade já foi provada.

Ornitóptero - A máquina era movimentada por um sistema de molinetes acionado pelo piloto. Enquanto seus braços agitavam as asas, os pés pedalavam. Era, porém, muito pesada para a força humana. Mostrando-se assim inviável, e nunca foi utilizado como instrumento de voo (apesar de ter sido testada).
Paraquedas – O primeiro paraquedas do mundo foi desenhado por Da Vinci, cujo projeto, exceto o feitio, assemelha-se à versão moderna do paraquedas. E a respeito dessa invenção ele escreveu: “Se um homem tiver uma tenda de linho, com a trama bem vedada e medindo 12 braças (26,4 metros) de largura por 12 de altura, será capaz de lançar-se de qualquer altura sem se machucar”.

Sobretudo, novamente sua ideia estava avançada para o período e demorou aproximadamente 500 anos para que o perfeito funcionamento do paraquedas se comprove.
Imagens reais comprovando o funcionamento do paraquedas desenhado por Leonardo há cinco séculos.
Podemos dizer que a base científica, isto é, os princípios básicos do funcionamento do helicóptero, são também creditados ao gênio Leonardo da Vinci. Idealizado em 1483, O helicóptero de Leonardo, possivelmente nunca saiu do chão, mas o projeto do “helicóptero” de Da Vinci ainda é um dos seus mais famosos desenhos. Desenhado em forma de parafuso, inspirava-se no mecanismo de um brinquedo, levado do Extremo Oriente para a Europa. No entanto, sua teoria foi lembrada somente após a criação do avião, no início do século XX. Contudo, não se pode negar que importantes descobertas científicas feitas ao longo dos anos contribuíram direta ou indiretamente para a futura concepção deste meio de transporte.

Giroscópio (helicóptero) - Era composto por uma grande asa giratória em forma de parafuso, presa a uma plataforma. A máquina funcionaria a partir do movimento rápido destas asas feito pela pessoa que estaria sendo transportada na plataforma. Fascinado pela forma espiral, frequente na natureza, Da Vinci escreveu: “Se este aparelho executado em forma de espiral for bem feito – isto é, confeccionado com linho cujos poros sejam vedados com amido – e girado rapidamente, a forma helicoidal produzirá uma espiral no ar, fazendo com que ele suba bem alto”.
Mais pensador do que lutador, o desgosto de Da Vinci por conflito não o impedia de sonhar com projetos de armas de fogo muito mais eficientes.
Carros de assalto, canhões, metralhadoras, catapultas... parecem-nos armas modernas. Porém, Leonardo já havia idealizado há muito tempo. E algumas armas tiveram de esperar séculos para que a tecnologia evoluísse e permitisse a sua construção, por isso julgamo-las modernas.
A metralhadora talvez tenha sido uma das primeiras armas que concebeu, cerca de 1480. Porém, não se sabe se chegou alguma vez a ser construída.

Metralhadora - constituída por um conjunto de 12 bocas de fogo dispostas em leque montadas sobre um carro. Esta disposição permite-lhe não só uma frente de tiro muito larga como também torna o carregamento fácil, uma vez que as culatras se juntam num único ponto. Além disso as rodas permitiam-lhe uma grande mobilidade no campo de batalha.
Contudo, a mais arrepiante máquina de guerra projetada pelo gênio do Renascimento é o carro-ceifeira (à falta de melhor designação). Paradoxalmente, é um dos mais bonitos esquemas de Leonardo da Vinci, onde se pode ver um tradicional carro puxado por cavalos com mecanismos de lâminas rotativas. O objetivo seria deslocar-se através de um campo de batalha ceifando literalmente as pernas dos soldados e cavalos inimigos. Porém, em escritos posteriores, o inventor reconheceu a crueldade deste seu engenho e, sobretudo, a sua ineficácia: tanto ceifava inimigos como as suas próprias tropas indiscriminadamente.

Carro-Ceifera
O carro de assalto ou Tanque Blindado é a mais conhecidas das máquinas bélicas de Leonardo da Vinci. Foi mais uma de suas armas nunca construída, pois a tecnologia envolvida era demasiado complexo e os planos pouco detalhados. Sobre uma plataforma com rodas coberta com uma carapaça metálica, inspirada numa tartaruga, estavam montados radialmente vários canhões que podiam disparar em todas as direções. A semelhança com os modernos tanques, com a sua torre giratória, é por demais evidentes.

Carro de assalto - Equipado com canhões carregados pela culatra, tinha todas as suas manobras inteiramente controladas de dentro do veículo. Sua mecânica de transporte seria por força animal, ou ate mesmo humana (apesar de inviável na pratica). A cobertura convexa destinava-se a desviar o fogo inimigo. É antecessor do tanque blindado, um veículo pouco usado até a I Guerra Mundial.
Durante sua vida o italiano renascentista criou e desenvolveu muitas outras obras na área de mecânica (segundo pesquisadores era sua grande fascinação), arquitetura e engenharia militar. Os seus desenhos, combinado com uma precisão científica e um grande poder imaginativo, refletem a enorme vastidão dos seus interesses e sua genialidade para a época. No entanto, por motivos políticos e sociais, muitas de suas obras foram destruídas ou simplesmente desapareceram com o tempo. Contudo, os desenhos, textos e pinturas que sobreviveram ao tempo nos revelam aspectos de sua vida pessoal e seus mistérios (como a escrita reversa, por exemplo). Além do fato de suas obras e ideias terem contribuído relevantemente para o desenvolvimento da ciência e servirem de impulso para o movimento renascentista que se iniciou no século XV (período em que Leonardo viveu).
"O prazer mais nobre é a alegria da compreensão." – Leonardo da Vinci
