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As pinturas e desenhos artisticos de Da Vinci

 

 

Suas Técnicas

Da Vinci teve uma formação e atuação multidisciplinar, atuando em diversas áreas do conhecimento Humano. Foi pintor, escultor, inventor, arquiteto, engenheiro e cientista. Soube manter a multidisciplinaridade de seus interesses nas suas atividades e as desempenhou com excelência.

Na pintura, mesmo deixando um legado não muito extenso, apenas trinta quadros, Da Vinci tornou-se um dos maiores pintores do mundo e com talvez o quadro mais famoso, a Mona Lisa.Vários fatos interessantes cercam Leonardo quando se diz respeito as suas pinturas. Enigmas, técnicas pouco utilizadas e até algumas curiosidades. Conta-se que durante a execução da Última Ceia, o superior da abadia ficava perplexo ao vê-lo passar a maior parte do tempo parado, apenas contemplando a obra. Para o abade, Leonardo deveria trabalhar como qualquer artesão, desde cedo até o por do sol , incessantemente. Quando interpelado pelo Duque de Milão, patrono da obra, Leonardo respondeu "Que os homens de genealidade as vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as ideias perfeitas que que suas mãos irão reproduzir".

 

 

O Esquema Piramidal

O esquema compositivo mais comumente utilizado por Leonardo é o esquema piramidal. As figuras são dispostas na cena de maneira que o seu conjunto ocupe a maior área próxima ao chão, e quanto mais se elevam na vertical, menor área ocupam. Disso resulta uma estrutura em forma de triângulo que tornou-se, mais tarde, quase um padrão na arte de Rafael e outros pintores. Na ilustração, A Virgem com o Menino e Santa Ana, pode-se perceber como as três figuras enquadram-se dentro do esquema piramidal, em que pese a extraordinária naturalidade dos gestos e da expressão das personagens.

" A Virgem com o Menino e Santa Ana" 

A variedade dos Gestos

Segundo consta, durante a realização daÚltima ceia, Leonardo empregou muito tempo perambulando por diversos locais da cidade, inclusive as prisões, em busca de rostos cuja fisionomia mais se enquadrasse às qualidades expressivas que ele pretendia para a obra. Lenda ou não, seus cadernos de esboços estão cheios de desenhos desta natureza, inúmeros estudos de rostos e expressões, mãos em gestos variados, os quais são uma das suas marcas criativas. Alberti já havia afirmado em seu tratado que uma das coisas que dá prazer em uma pintura seria a variedade e a copiosidade dos gestos e dos personagens. E não apenas isto, mas que cada movimento de mão, cada expressão facial manifestasse os movimentos da alma. Parece que Leonardo vai perseguir este ideal em suas pinturas.

Recorte a Última Ceia

Sfumato

O sfumato é a passagem da luz para a sombra, realizada de maneira tão sutil que quase não é perceptível o limite entre uma e outra. Isto, consegue-se pelo hábil manejo do pincel (ou outros instrumentos suavizadores, como os dedos ou o esfuminho), aplicando suavemente a tinta, ora vindo da luminosidade em direção à sombra, ora vice-versa. O efeito é o de uma sutil gradação. Com isto, eliminam-se os contornos nítidos, reduzindo a precisão dos traços e ampliando a ambigüidade expressiva. Leonardo utilizou este recurso técnico em várias pinturas. NaMona Lisa, por exemplo, os contornos dos olhos e os cantos da boca receberam este tratamento técnico, o que talvez seja, em parte, responsável pelo indecidível estado de espírito da retratada. Ora ela parece sorrir, ora parece melancólica, e tais interpretações são mutuamente viáveis por que as linhas de expressão dos rosto permitem ambas as hipóteses. (à esquerda, possível autoretrato)

Uma conseqüência do emprego desta técnica é a possibilidade de não se trabalhar as figuras a partir de suas linhas de contornos, mas sim desde suas superfícies, ou melhor, da modulação suave da luz sobre os corpos. Artistas como Botticelli, por exemplo, fizeram da linha seu mais forte recurso expressivo. Os contornos são agudos e as figuras se destacam umas das outras pelos nítidos perfis. Em Leonardo, ao contrário, as figuras parecem avançar e recuar desde as sombras. Ele concebe a figura não por seu perfil, mas, digamos assim, pela sua superfície.



 

Possivel Autoretrato

 

A Perspectiva aérea

A perspectiva aérea é um modo de representar os efeitos das grandes distâncias na percepção que temos das cores e dos contornos dos objetos. Sabe-se que, quanto mais distante está um objeto ou uma cena de nós, menos nítidos vemos seus contornos. Também as cores são afetadas por esta determinante. Dada a presença do oxigênio no ar que intermedia a distância entre nós e as montanhas longínquas que Leonardo representou na Virgem e o Menino com Santa Ana, quanto mais distantes estão as montanhas, mais azuladas nos parecerão. Esta é também a razão de vermos o céu azul em dia de sol.

Algumas Pinturas e desenhos de Da Vinci

O estudo da Perspectiva 

Vimos que foi nessa época do Renascimento que teve o desenvolvimento das técnicas de perspectivas. Agora, vamos tentar imaginar a dificuldade que era em tentar constituir um desenho/imagem com perspectiva:

Por exemplo, quando cursamos a disciplina de Fundamentos em Desenho e Projeto, inicialmente, é normal que tenhamos uma dificuldade em representar o desenho de uma peça qualquer sob o sistema de projeção ortogonal e suas três vistas ortográficas (frontal, lateral e superior). E muitas vezes, mesmo após aprendermos fundamentos e as normas do desenho técnico não conseguimos interpretar aquilo que está representado no desenho. Imagine, então, ter que fazer o desenho de uma peça para um projeto sem nunca ter visto uma técnica de projeção.

Assim, tentarmos entender como foi possível o surgimento da técnica da perspectiva significa pensarmos nas dificuldades da visualização e da representação de figuras tridimensionais. A perspectiva aplicada no Renascimento buscou estabelecer um método para representar imagens em superfícies bidimensionais. Ao longo do tempo, a técnica em perspectiva passou a ser comum, constituindo-se numa técnica de fácil acesso que permitia não só a representação de imagens mas, ainda, um meio de leitura delas.   

Se analisarmos as obras de diversos pintores da época medieval, podemos perceber em sua quase totalidade, que não há profundidade nem infinitude.

Veja os dois exemplos abaixo que representam a mesma cena A Última Ceia, o de Ugolino da Siena anterior à descoberta da perspectiva, e o de Da Vinci no momento em que esta começava a implantar-se na arte.

 

A Última Ceia de Ugolino de Siena, 1315

A Última Ceia de Leonardo Da Vinci, 1495-1498
Milão, Santa Maria delle Grazie.

Nesta pintura medieval (Ultima Ceia de Ugolino), de 1315, podemos perceber que ela é uma pintura assimétrica pois os tamanhos dos objetos não se relacionam com a distância relativa ao observador. Observe o tamanho desproporcional de Jesus em relação aos apóstolos por ser considerado como “importante”.

 

A Adoração dos Magos

 

A Adoração dos Magos, estudo da perspectiva

Estes exemplos são capazes de nos mostrar como o talento de Leonardo da Vinci, juntamente com o de outros estudiosos, foi capaz de constituir um novo universo espacial com a geometrização do espaço e mostrar também a importância de sua contribuição no desenvolvimento de técnicas de desenhar com perspectivas.  

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